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Cultura

O desespero do entretenimento

Profissionais de eventos estão há mais de 100 dias parados

28 junho 2020 - 09h46Joilson Francelino


A pandemia do novo coronavírus parece estar bem longe do fim, o que preocupa principalmente os profissionais do setor de entretenimento, que contam com a “normalidade” para retomar, totalmente, as atividades. O número de pessoas infectadas aumenta, a capacidade de leitos hospitalares disponíveis diminui e as mortes aparecem.

Campo Grande foi uma das primeiras capitais brasileiras a adotar medidas restritivas, logo no início da pandemia. Isso foi bom, colocou a capital de Mato Grosso do Sul como exemplo no Brasil. Vendo os “bons resultados”, o prefeito Marquinhos Trad decidiu flexibilizar as medidas e permitir a abertura, gradativa, da atividade econômica na cidade: tudo dentro das normas de biossegurança.  

Parte do setor do entretenimento foi beneficiado com a flexibilização, como os bares, mas a desobediência de alguns fez com que o prefeito “endurecesse o tom” quanto ao setor. Desrespeito ao toque de recolher e às medidas de biossegurança, com aglomeração em alguns estabelecimentos foi a gota d’água para que o toque de recolher começasse as 23h, estreitando a “vida noturna”, que retornava aos poucos. “Alguns movimentos que contrariam e afrontam nossas recomendações. Temos um dever com a nossa cidade de proteger a comunidade. A nossa obrigação é com o cidadão e o nosso dever é garantir o funcionamento da cidade, com saúde pública acima dos interesses individuais, por isso, devemos ser conscientes, não vamos permitir exageros, mudamos o toque de recolher”, disse o prefeito Marquinhos. 

A desobediência de alguns deixou mais distante a esperança da maior parte dos profissionais do entretenimento que viam na flexibilização, uma possibilidade de retomar alguns eventos na capital. Nesta semana, os profissionais do ramo do entretenimento completaram 100 dias “parados”. O produtor de eventos André Furquim, responsável por festas de aniversário, casamentos e eventos coorporativos, falou sobre as dificuldades que está enfrentando em meio à paralização das atividades do setor. “Há 100 dias nós não temos receita e estamos sem expectativa, não sabemos quando iremos voltar. Temos pessoas passando por dificuldades, a área de eventos engloba muita gente mais humilde que precisa que os eventos aconteçam para poder sobreviver”, disse. 

André expõe ainda seu descontentamento com os estabelecimentos que estão liberados para funcionar, mas desobedecem as medidas de biossegurança, estabelecidas em decreto. “Está deixando a gente, do setor de eventos, muito tristes. Está tudo proibido para a gente, e as pessoas que estão liberadas para fazerem as coisas, estão abusando de uma forma que está prejudicando todos”, lamentou. Impedido de realizar os eventos desde março, o empresário teve 30% das suas festas, entre aniversários e coorporativos, canceladas e, os casamentos, que já estavam agendados, foram adiados, porém, as noivas, segundo André, querem suas festas apenas quando tiver vacina para o novo coronavírus. 
Para o produtor de eventos Marcus Barão, da Abappai Produções, o coronavírus deixou o entretenimento em último plano e a desobediência fez com que perdesse tudo o que se fez para que Campo Grande fosse exemplo nacional. “Tudo o que fizemos no começo, de medidas, perdemos e teremos de voltar tudo novamente”, disse. 

Barão já trouxe para Campo Grande, grandes nomes do pop rock nacional, como Barão Vermelho, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Rodrigo Santos, além da banda Jota Quest, entre tantos outros artistas. Ele conta que a saída para têm sido as lives, com artistas regionais, mas aponta alguns desafios. “Estou fazendo as lives na TV Educativa, e a maior arrecadação que conseguimos foi R$ 400. Não tem valorização. A gente vê quem tem audiência, mas o pessoal não contribui”, disse. O produtor destaca que, a única saída seria a conscientização do público em ajudar os músicos. 

As apresentações pelas lives também têm sido uma maneira que os artistas adotam para ficar “mais perto público”. O vocalista da banda V12, Jhon, conta a mudança que a pandemia fez no grupo que se apresentava de quinta a domingo, em diversos lugares. “Temos que esperar a normalidade para voltar a fazer shows. A gente fomenta a música, mesmo que não estejamos sendo remunerados com as lives”, disse. 

Com agendas de casamentos e diversos outros eventos adiadas ou canceladas, a cantora Marta Cel também falou do impacto da pandemia na sua vida profissional. “A pandemia me afetou muito como artista. Além disso, toda a estrutura que existe para uma apresentação, exige o trabalho de outras pessoas que também foram afetadas”, falou a cantora ao ressaltar a necessidade de se reinventar para enfrentar a crise causada pelo vírus. Além de cantar, Marta também ministra aulas de canto na capital.

O cantor e ex-baixista da banda Barão Vermelho, Rodrigo Santos, que fez show em Campo Grande em junho de 2019, falou sobre “reinvenção” no setor do entretenimento na modalidade drive in, porém, no Rio de Janeiro, mas a ideia pode ser uma saída a todos os profissionais que dependem desse setor em plena atividade. “Vou fazer o primeiro show, no estado do Rio, no drive in. Estarei lá, com várias pessoas dentro dos seus carros e toda a segurança que exige o evento. Tudo o que se pode imaginar para garantir a segurança do público, artistas e trabalhadores. Acho que a tendência do ‘novo normal’ até que fique pronta a vacina, será essa”, afirmou. 
 

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