Mato Grosso do Sul registra um acidente de trabalho a cada hora e uma morte estimada a cada oito dias. São dados alarmantes, de acordo com os dados do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul e Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região até o dia 29 de março deste ano.
Para os especialistas no segmento, o ideal é não acontecer nenhuma morte no ambiente de trabalho. Diante disso, o Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Sintest-MS) tem atuado ostensivamente no sentido de oferecer cursos e palestras que abordam o tema, a fim de proporcionar ferramentas eficazes na melhoria da segurança do trabalhador, além de estimular a reflexão sobre o quanto o assunto deve ser colocado em evidência no meio empresarial e industrial. Ganha o empresário que mantém em seu quadro, colaboradores saudáveis e produtivos e presentes e mais ainda o trabalhador que tem a sua vida preservada e saudável em todos os aspectos.
Este 1º de maio também marca o encerramento do Abril Verde, movimento que aconteceu simultaneamente em todo o Brasil em prol da segurança do trabalhador. Entretanto, não é apenas em abril que empresas, indústrias e instituições públicas e privadas devem se atentar quanto ao assunto, mas sim ao longo de todos os meses do ano. Para André Ferreira Lima, presidente do Sintest/MS, a cultura prevencionista deve ser fortalecida a cada dia no ambiente de trabalho. “Nós estamos focados em continuar a proporcionar seminários e workshops para tratar da defesa da segurança do trabalhador. Demais órgãos públicos são parceiros importantes nessas nossas ações. E não mediremos esforços para garantir a segurança dos nossos trabalhadores sul-mato-grossenses”, defendeu o presidente do Sintest/MS.
Ciclo de palestras
No último dia 22 de abril, o Seminário em Memória das Vítimas de Acidente de Trabalho foi realizado pelo Sindicato dos técnicos de Segurança do Trabalho no Estado do Mato Grosso do Sul (Sintest/MS), Ministério Público do Trabalho (MPT), Tribunal Regional do Trabalho (TRT-24ª Região) na Câmara Municipal e contou com duas palestras voltadas a estudantes e profissionais em saúde do trabalhador. A psicóloga especialista em psicologia do trabalho e mestre em psicologia da saúde, Ana Carolina Perroni, abordou o tema “Saúde X Trabalho”.
“Ainda temos uma cultura enraizada que o workaholic, aquele profissional que só pensa em trabalho e passa horas no ambiente de trabalho, é o melhor profissional a ser contratado pelas empresas. Entretanto, quando o sujeito adoece, ele é forçado a se afastar e por isso esse comportamento traz prejuízos ao trabalhador. Há de se atentar que adição ao trabalho, ou seja, o vício configura em trabalho compulsivo, quando o trabalhador não percebe que exagera e o excessivo, quando ele diz para lhe dar mais trabalho, ambos igualmente danosos”, explicou a psicóloga durante a palestra.
Já o técnico de segurança do trabalho e pós-graduado no segmento pela Universidade dos Trabalhadores da América Latina (UTAL) radicado em Chapecó, Santa Catarina, João Carlos Figueira, foi especialmente convidado a palestrar sobre os desafios dos profissionais prevencionistas nas ações e gestão da prevenção de acidentes de trabalho e doenças do trabalho.
Para o profissional, o Abril Verde deve ser encarado com tanta seriedade quanto o Outubro Rosa e o Novembro Azul, célebres campanhas que hoje estão consolidadas junto à opinião pública no país. “O dia 28 de abril relembra as vítimas de acidentes de trabalho. Não é celebração, mas uma memória aos que sucumbiram no ambiente de trabalho. Por isso, os técnicos de segurança do trabalho precisam dominar a legislação vigente a fim de ser um multiplicador dessa consciência, pois trabalhador saudável é trabalhador produtivo. Cadáver não paga contas, não cria filhos. Se o trabalhador está em um ambiente de trabalho arriscado e perigoso, melhor pegar a sua carteira de trabalho e procurar outra atividade do que perder a sua vida”, pontuou Figueira durante sua apresentação.
Cláudia Fernanda Noriller Silva, procuradora do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT/MS) destacou os danos também econômicos dos acidentes de trabalho no país. “Estamos em um momento em que a cada 40 segundos acontece um acidente de trabalho no Brasil e a cada 3 dias acontece uma morte no ambiente de trabalho. Entre 2012 e 2019, foram gastos mais de 80 bilhões pela Previdência Social em pagamentos de auxílios acidentários e pensões por morte. Neste momento em que se fala da reforma da Previdência, é importante que este assunto venha à tona, porque quem paga o preço pela falta de segurança do trabalho somos todos nós, a sociedade. Que possamos refletir sobre isso”, pontuou a procuradora.
André Ferreira Lima, presidente do Sintest/MS, relembrou também os profissionais que perderam suas vidas no ambiente de trabalho, o que poderia ser evitado se a cultura prevencionista estiver presente em todos os setores produtivos do estado. “No ano passado tivemos dois suicídios e mais um esse ano, de trabalhadores na área da saúde. A semente está plantada e devemos rever os nossos conceitos, sermos multiplicadores da segurança no ambiente de trabalho”, concluiu.
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"Estamos focados em continuar a proporcionar seminários e workshops para tratar da defesa da segurança do trabalhador", disse André Ferreira (reprodução/assessoria)



