O JD1 Notícias obteve com exclusividade informações detalhadas que levaram à operação da Polícia Federal contra o ex-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Desembargador Divoncir Schreiner Maran, e seus familiares. Os motivos apresentados pela PF ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sugerem fortemente a existência de uma possível organização criminosa na família Maran.
Segundo fontes, a PF informou à Ministra do STJ, Maria Isabel Diniz Gallotti Rodrigues, que em 21 de abril de 2020, durante o plantão judiciário em razão do feriado de Tiradentes, o Desembargador Maran proferiu uma decisão monocrática autorizando a prisão domiciliar de Gerson Palermo, membro apontado da facção "Primeiro Comando da Capital" (PCC), sob monitoração eletrônica. Ele fugiu ao ter o habeas corpus revogado por outro desembargador.
A investigação encontrou uma "confusão patrimonial" na família Maran. O filho mais velho do desembargador, teria renda mensal declarada de R$7.687,50, mas recebeu "surpreendentes R$1.074.532,05" em sua conta bancária entre junho de 2021 e março de 2022. A Receita Federal também apontou que esse filho atuava como "principal operador" em operações suspeitas, utilizando procuração em nome do pai para transações incompatíveis com seus ganhos.
Ao quebrar o sigilo bancário dos investigados, a PF identificou uma "significativa" quantidade de depósitos na conta do filho mais velho, sendo que parte deles, inferiores a R$50.000,00, não exigiam explicação ao COAF (Controle de Atividades Financeiras). O montante totalizou R$746.560,00, com R$175.164,00 depositados em "espécie" pelo próprio filho e outros R$417.510,00 provenientes de terceiros não identificados, no período de 2020 a 2022.
A PF informou ao STJ que, em relação aos depósitos, há suspeitas de origens lícitas, possivelmente relacionadas a operações do empreendimento rural (venda de gado), mas que "superam o esperado", levantando a possibilidade de despesas com recursos de origem duvidosa.
O filho advogado de Divoncir Schreiner Maran, Rafael Fernando Ghelen Maran, também foi alvo da operação, com movimentações "atípicas" de R$137.393,65, fragmentadas em diversas operações bancárias, justificadas como recebimento por suposto repasse de carta de consórcio. A PF também detectou transações "imobiliárias" suspeitas na família Maran.
No âmbito da investigação, a PF apontou evolução patrimonial não declarada de uma servidora do TJMS envolvida na soltura de Gerson Palermo. A companheira do Desembargador Divoncir Schreiner Maran também é alvo de suspeitas, com indícios de "inconsistência" na evolução patrimonial e tentativa de confusão quanto à origem dos bens do casal.
A PF argumentou ao STJ que os envolvidos atuaram de forma "coordenada". A Ministra Maria Isabel Diniz Gallotti Rodrigues, ao autorizar a operação, ressaltou a necessidade de verificar se a decisão do Desembargador foi fruto de corrupção, considerando-a "grave e carente de fundamento jurídico".
O Ministério Público Federal (MPF) também solicitou o afastamento do Desembargador até 06/04/2024, data em que completará 75 anos e se aposentará compulsoriamente.
A ministra autorizou a operação da Polícia Federal contra a família Maran. Por decisão dela, o desembargador está "proibido" de acessar o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e de manter contato com funcionários do Tribunal.
Ela apontou riscos de constrangimento a funcionários e possível acesso indevido a documentos relevantes para a investigação.
A busca e apreensão realizada durante a operação visam elucidar a suposta venda de ‘habeas corpus’ em favor do megatraficante. O desembargador Divoncir Schreiner Maran também está sob investigação pelo CNJ pela soltura do criminoso. O caso segue em apuração.
JD1 No Celular
Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp.
Tenha em seu celular o aplicativo do JD1 no iOS ou Android.
Reportar ErroDeixe seu Comentário
Leia Também

Justiça manda soltar policial do Garras preso em esquema de propina em Campo Grande

Homem que matou para vingar a morte do irmão é condenado a 12 anos de prisão na Capital

Justiça limita cobrança do IPTU/2026 em Campo Grande e suspende majoração

Julgamento de matador é retirado de Sete Quedas após Justiça apontar clima de medo

Ramagem nega monitoramento ilegal em depoimento ao STF

Desembargadores mantêm prisão de acusado por homicídio ocorrido no Jardim Leblon

Município de Rio Brilhante é condenado a indenizar JBS em R$ 8 milhões

TJMS contrata obra de R$ 11 milhões para anexo e reforma de gabinete dos desembargadores

Homem que vingou morte do irmão enfrenta júri popular hoje em Campo Grande

Desembargador Divoncir Schreiner Maran - (Foto: Divulgação)



