Menu
Menu
Busca quinta, 16 de abril de 2026
Sebrae IA #2 Abr26
Política

Senado debate abuso de autoridade; Renan diz que é preciso atualizar a lei

23 novembro 2016 - 17h51Agência Brasil

Ao abrir debate temático no plenário do Senado sobre o projeto que modifica o texto da lei de Abuso de Autoridade (Lei 4.898/1965), o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que a legislação atual está desatualizada e que alterações são necessárias para resguardar direitos dos cidadãos contra o eventual autoritarismo do Estado.

“Nenhum agente do Estado, de nenhum poder, está autorizado a usar suas atribuições legais para ofender, humilhar, agredir quem quer que seja. Todo poder oprime, seja qual for a origem desse poder, e não há poder sem limites. A diferença é que, na ditadura, limitam-se os direitos em detrimento do cidadão, enquanto, na democracia, as liberdades civis são respeitadas, e os freios dirigem-se exatamente ao poder estatal para proteger o indivíduo”, disse Renan.

O Projeto de Lei nº 280, de 2016 foi apresentado por Renan, que considera que a legislação vigente está defasada e, por isso, precisa de aprimoramentos. Ontem (22), os senadores aprovaram regime de urgência para o projeto. O texto estava sendo analisado pela Comissão da Consolidação da Legislação Federal e da Regulamentação da Constituição. Com o pedido, o texto será votado em plenário.

Foram convidados para a sessão o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia. Em função de compromissos, eles não compareceram ao debate e enviaram representantes. Gilmar Mendes confirmou presença na próxima sessão de discussão sobre o tema, no dia 1° de dezembro, quando também deve participar o juiz federal Sérgio Moro. O representante da OAB na sessão disse que o presidente da instituição também virá ao próximo debate.

No plenário do Senado, a subprocuradora-geral da República, Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, manifestou discordância com a proposta em discussão e disse que vários dos tipos penais que se pretende colocar na nova lei já existem no Código Penal e que hoje não se trabalha na ausência de regras. “Existem regras, tanto do ponto de vista administrativo como do disciplinar, de cada uma das instituições dos órgãos de governo, especialmente Ministério Público, magistratura e polícias, e existem também tipos penais”, disse.

O defensor público-geral federal, Carlos Eduardo Barbosa, destacou a necessidade de atualizar a legislação que trata de abuso de autoridade. “Eu penso que a lei de abuso de autoridade é na verdade um importante instrumento que vai ser dado à própria magistratura e um importante instrumento que vai ser dado ao próprio Ministério Público em uma das funções que lhes são caras e que hoje talvez não estejam bem aparelhadas, que é o controle externo da atividade policial. Hoje vê-se, na prática, que o próprio Ministério Público tem algumas dificuldades em levar a cabo essa atividade”, disse.

O representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), José Alberto Ribeiro Simonetti, afirmou que a OAB realiza debates internos sobre cada um dos temas abordados no projeto e, logo que esse debate seja finalizado, irá encaminhar sugestões ao Senado. Simonetti observou que, ainda que o Conselho Federal da Ordem não tenha concluídos os debates, “neste ato, a OAB é, sim, favorável a toda e qualquer reforma na legislação que venha a tolher o abuso de autoridades".

A proposta de Renan de atualizar a Lei de Abuso de Autoridade provocou reações contrárias de magistrados, como Sérgio Moro, e da Associação dos Juízes Federais do Brasil que classificou a iniciativa como uma tentativa de intimidar os juízes.

O projeto apresentado por Renan prevê que servidores públicos e membros do Judiciário e do Ministério Público possam ser punidos caso sejam determinadas prisões “fora das hipóteses legais", como ao submeter presos ao uso de algemas sem que apresentem resistência à prisão e fazer escutas sem autorização judicial, atingindo “terceiros não incluídos no processo judicial ou inquérito”.

Reportar Erro
UNIMED Corrida - Abr26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Câmara Municipal de Campo Grande
Política
Câmara Municipal de Campo Grande vota três projetos e dois vetos em sessão desta quinta
alems direção foto luciana nassar
Política
ALEMS analisa projeto que cria campanha contra adultização infantil nas redes sociais
Projeto aposta em prevenção com ensino de primeiros socorros
Política
Projeto aposta em prevenção com ensino de primeiros socorros
Com serviços essenciais, MS Cidadão ultrapassa 2,4 mil atendimentos
Política
Com serviços essenciais, MS Cidadão ultrapassa 2,4 mil atendimentos
Coronel David defende organização política e filiação ao PL
Política
Coronel David defende organização política e filiação ao PL
Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) durante a leitura do relatório final
Política
CPI troca membros, derruba relatório e acirra crise com STF
Foto: Wagner Guimarães
Política
Deputados discutem atualização de símbolo de idosos
O depoimento estava previsto para ocorrer por meio de videoconferência, mas o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não entrou na sala virtual.
Política
Eduardo Bolsonaro não comparece a interrogatório no Supremo
Foto: Wagner Guimarães
Política
Com brecha no regimento, Assembleia mantém blocos e evita nova divisão
Ministro Nunes Marques
Política
TSE troca comando e terá Nunes Marques na presidência

Mais Lidas

Ilustrativa / Foto: Marcus Phillipe
Oportunidade
Precisa tirar documentos? Mutirão em Campo Grande vai emitir RG, CPF e certidões de graça
Réu João Vitor de Souza Mendes - Foto: Vinícius Santos / JD1 Notícias
Justiça
Pega 44 anos de prisão rapaz que matou 2 crianças inocentes em Campo Grande
Réu João Vitor de Souza Mendes - Foto: Vinícius Santos / JD1 Notícias
Justiça
Em júri, acusado de matar duas crianças pede para não ser julgado pela 'tatuagem'
Confusão aconteceu no Mercadão Municipal
Polícia
Discussão entre funcionários termina com um esfaqueado no Mercadão Municipal