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Saúde

Superlotação: 47 pacientes disputam leito na Santa Casa

"Não gostaríamos de estar atendendo assim", diz médico coordenador do pronto-socorro

16 setembro 2020 - 19h20Matheus Rondon
Saúde

Superlotação: 47 pacientes disputam leito na Santa Casa

"Não gostaríamos de estar atendendo assim", diz médico coordenador do pronto-socorro

16 setembro 2020 - 19h20Matheus Rondon    atualizado em 16/09/2020 às 19h34

Diante da realidade apresentada pela diretoria da Santa Casa nesta terça-feira (16), o JD1 Notícias conheceu alguns corredores do hospital. A situação está tão critica, que é possível ver várias cadeiras de repouso sendo ocupadas por familiares que estão acompanhando os pacientes que aguardam por um leito livre, nos corredores do hospital, também vemos pessoas recebendo soro em macas e cadeiras.

 “Estou esperando com muita dor”, é fala da dona Cleuza Benedita, de 61 anos, que aguarda desde as primeiras horas de hoje por uma vaga de leito no pronto-socorro. Dona Cleuza, conta que caiu de ponta cabeça da camionete do filho, na sexta-feira (11) e que no dia seguinte foi até ao UPA do bairro Aero Rancho, procurar por um atendimento. Após a consulta, ela saiu apenas com medicamentos para aliviar a dor. “Eles me deram só remédio pra dor e me liberaram pra casa, não fizeram nenhum exame, ai ontem eu fui no UPA do Leblon, fiz raio-x, ai de lá que me encaminharam pra cá, aqui fiz a tomografia”, explica.

A senhora está aguardando o exame de ressonância para poder subir para um quarto, se disponível. A filha, Stefani, de 21 anos, que está acompanhando a mãe, contou que ela teve trauma medular e precisará passar por cirurgia. “É muito ruim aguardar aqui, os funcionários, coitados, fazem o que podem, mas não tem nem como dar atendimento pra muita gente, vemos a dificuldade”, conta. Esse é apenas mais um caso, das várias pessoas que aguardam nos corredores da Santa Casa.

Marcos Bonilha, médico coordenador do pronto-socorro conta sobre esse aumento de pacientes para atender. “É uma constante a quantidade de pacientes, nos últimos dias nos temos notados que ampliou bastante, tá todo mundo muito cansado aqui dentro, super lota, as pessoas trabalham em lugares pequenos com mais dificuldade ainda, os profissionais começam a se sentir pressionados, nós não gostaríamos de estar atendendo assim”, finaliza. Nesse momento da conversa, foi possível ver um médico aferindo a pressão de uma paciente no corredor, pois está tudo cheio, os locais de acesso para atendimento ficam bloqueados pela grande demanda, então o hospital acaba por colocar o paciente onde é possível para atender, já que está super lotado.

Um pouco mais adiante, no mesmo corredor, um rapaz, que trabalha como pedreiro e teve um machucado grave no dedo, disse estar desde a manhã de hoje sentado em uma cadeira no corredor, recebendo soro.

A Roselaine Nascimento, que é enfermeira chefe do pronto-socorro, foi questionada sobre como os médicos e enfermeiros se sentem em relação ao atendimento que está sendo prestado. “Esgotada, é desgastante, estressante para os profissionais, por que eles não têm local adequado, além disso, eles têm que ouvir reclamações e ofensas dos parentes que acompanham, mas diariamente precisamos estar aqui, pois o paciente precisa,” explica.

 

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