A Coordenadoria de Controle de Zoonoses (CCZ) de Campo Grande realizou 469 procedimentos de eutanásia em animais apenas nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. Os dados constam em um Relatório Técnico de Fiscalização do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul (CRMV-MS), produzido a pedido do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Conforme o documento, a fiscalização ocorreu no dia 11 de março, em conjunto com a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Atendimento ao Turista (DECAT), no âmbito de uma investigação que apura denúncia de “extermínio” de animais saudáveis.
De acordo com o relatório, em janeiro foram registradas 279 eutanásias. Em fevereiro, o número caiu para 190. O documento especifica que os procedimentos se destinaram a “cão portador de zoonose e/ou doença terminal” e descartou a prática de eutanásia em animais sem a devida justificativa clínica ou comprovação laboratorial.
Ainda segundo o relatório, no mesmo período foram recolhidos em via pública 311 cães (janeiro) e 209 cães (fevereiro) que já ingressaram na unidade como portadores de zoonose ou doença terminal.
Proporcionalidade dos números
A análise dos dados coletados, conforme consta no documento, permite observar que o volume de eutanásias realizadas – média de 10 procedimentos por dia – é proporcional ao volume de animais recolhidos em via pública que já chegam à unidade nessas condições clínicas.
Falhas no centro cirúrgico
Durante a fiscalização e verificação de itens e equipamentos no centro cirúrgico da Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ/CCZ), local destinado à castração de cães e gatos, foi identificada a ausência de autoclave no recinto. A equipe da CCZ informou que o equipamento havia sido enviado para manutenção naquele dia.
Diante da inexistência de kits de instrumentais cirúrgicos com comprovação de esterilização física ou química, foi emitida orientação imediata para a suspensão das castrações dos nove animais que aguardavam o procedimento no momento da diligência, até que a devida esterilização fosse restabelecida.
Acondicionamento de cadáveres
O CRMV-MS também identificou possíveis falhas no acondicionamento dos cadáveres dos animais eutanaziados. Verificou-se que os corpos são acondicionados em bombonas plásticas e mantidos à temperatura ambiente até o recolhimento diário pela empresa concessionária (SOLURB), sem a utilização de unidades refrigeradas.
Segundo o relatório, tal prática pode estar em desacordo com as normas de manejo de resíduos de serviços de saúde, devendo ser adequada para evitar riscos sanitários, exalação de odores e a proliferação de vetores.
O documento ressalta que a referida adequação no acondicionamento de carcaças já havia sido objeto de orientação e cobrança em fiscalizações anteriores do conselho, reiterando a necessidade de cumprimento das exigências de infraestrutura e biossegurança estabelecidas pela Resolução CFMV nº 1275/2019, que solicita unidade refrigerada exclusiva para conservação de animais mortos e resíduos biológicos.
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Foto: Reprodução / Relatório / CRMV-MS 


